terça-feira, 12 de abril de 2011


Psicólogo acusa CFP de assédio moral e preconceito após demissão
12/04/2011
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Patrick Thiago Bomfim, 30 anos, é mestre em psicologia, professor e era funcionário do Conselho Federal de Psicologia (CFP) até pouco tempo. O órgão que é uma autarquia que interage com as regionais sobre o exercício desta função no país demitiu o funcionário sem maiores explicações. Um dos temas que o profissional discorria com mais freqüência era sobre assédio moral no trabalho, acabou ele sendo vítima e demitido do CFP depois que passou a questionar a estrutura do órgão.

Bomfim é gay assumido, militante e foi acusado, segundo ele, de militar por causa própria. Ele também diz que a entidade o proibiu de dizer que era funcionário da instituição, enquanto militava pelos direitos humanos dos homossexuais. Após a demissão, o psicólogo passou a questionar o posicionamento da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT), que não se manifestou a seu favor. O presidente da entidade, Toni Reis, não apenas disse que a questão era trabalhista como desmereceu a acusação de que o CFP era homofóbico, dado o histórico de apoio da entidade aos direitos gays.

O psicólogo acusa o próprio presidente da ABGLT de ser homofóbico e de ter o excluído das listas de discussão da entidade. “A Carta de Princípios da associação proibe parceria com filiados que cometam QUALQUER tipo de exclusão, discriminação e preconceito. Para mim, quem acoberta homofobia é igualmente homofóbico. Passa a ser co-autor da homofobia. Endossa e naturaliza tais truculências”, afirma Bomfim sobre o presidente da ABGLT.

“O CFP pouco está interessado com as causas gays, bem diferente do que lançam na mídia. Pelo contrário, só se preocupam com a promoção na mídia por meio dos temas LGBT, tirando proveito dos sofrimentos das comunidades LGBTs. Por exemplo, o CFP deflagra que não está preocupado com Assassinatos de Homossexuais, mas com projetos que estão sendo polemizados pela mídia, como no caso do projeto Escola Sem Homofobia, para angariar apenas visibilidade”, acusa o ex-funcionário que afirma que é um dos co-autores do parecer de apoio do CFP ao Projeto Escola Sem Homofobia, mas que não teve seu nome divulgado, por ser homossexual.

Antes de ser uma disputa sobre homofobia, a questão é política, afirma uma fonte que preferiu não ser identificada. Com uma eleição irregular que não segue as diretrizes estatutárias da entidade, o mesmo grupo permanece no comando da entidade há mais de uma década. Segundo Bomfim, as irregularidades na entidade são claras e acusa ainda a entidade de cometer assédio moral com outros funcionários. Ele diz ainda que a entidade não tem representantes dos estados, como supõe o regimento, e ainda que não há diversidade de raças, de pensamento e das correntes da psicologia dentro do órgão.

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