quarta-feira, 13 de abril de 2011


Para DIG, estupros não foram vingança
13/04/2011
De acordo com investigações, crime não foi premeditado e não teve participação de reeducandos; ninguém foi preso ainda
Vitor Oshiro
A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), afirmou ontem que os autores dos estupros contra duas meninas, de 17 e 18 anos, na última sexta-feira, não foram motivados por vingança, nem tampouco teriam sido cometidos por presos beneficiados pela saída temporária de Páscoa. As afirmações foram feitas pelo delegado titular da DIG, Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva, responsável pelo caso.

Inicialmente havia suspeita de que uma das meninas violentadas teria sido escolhida pelos autores do crime pelo fato de ser filha de um agente penitenciário. Segundo o delegado, a investigação concluiu que o pai da garota realmente é um agente, porém, reside em São Paulo. Portanto, para a polícia o crime foi motivado pela “oportunidade”.

“A linha de investigação aponta que não houve qualquer participação de detentos da ‘saidinha’ neste caso. Ainda não posso dar mais detalhes, porém, posso garantir que não foram quaisquer beneficiados”, aponta.

O caso seria investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), entretanto, como também houve roubo além do estupro, as apurações foram unificadas na DIG. “O pai de uma das meninas realmente é agente penitenciário, porém, trabalha na Capital. O crime foi de oportunidade. Não foi algo premeditado para aquelas vítimas, conforme foi discutido. Não teve nada relativo à vingança”.

As vítimas compareceram tanto na DIG quanto na delegacia seccional para olhar fotografias do banco de arquivo policial na tentativa de identificar possíveis suspeitos, porém, não houve novidades. Mesmo com o fato, o delegado Carlos Silva informa que “as investigações estão bastante avançadas. Em um curto espaço de tempo, a polícia irá capturar e apresentar os autores”.

O crime ocorreu na noite da última sexta-feira. Após as duas garotas terem saído de uma lanchonete na avenida Getúlio Vargas com os respectivos namorados, os dois casais foram abordados na quadra 9 da rua Doutor Fuas de Mattos Sabino por três homens, dois deles armados com revólveres.

Após roubarem dinheiro, relógios e aparelhos celulares das vítimas, o grupo foi levado até um matagal às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília, onde as duas meninas foram estupradas. Depois, as vítimas e o veículo foram abandonadas próximo a um posto de combustível.



____________________


Outros casos


A onda de estupros ou tentativas de consumar tal crime assustou os bauruenses nos últimos dias. Além das duas garotas, houve outros dois casos desde o fim de semana. Na manhã de domingo, uma mulher de 37 anos foi abordada por um homem na rua Benevenuto Tiritan, no bairro Vila Santista. Segundo registrado no boletim de ocorrência (BO), ele tentou estuprá-la, sendo que o crime somente não ocorreu pois a vítima teria reagido.

Anteontem, a Polícia Militar (PM) foi acionada ao Hospital de Base (HB) para outro possível caso. Dessa vez, a vítima seria uma garota de apenas 16 anos. Os policiais foram chamados por uma assistente social e ela denunciou que a vítima teria chegado ao local com dores no ventre e relatado o estupro.

Entretanto, o delegado seccional de Bauru, Benedito Antônio Valencise, afirmou que o caso, supostamente cometido na favela São Manoel, iria ser investigado, uma vez que “a história apresentava pontos estranhos”.



____________________


Alerta às mulheres


A delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Flávia Regina dos Santos Ueda, confirma que os casos aumentaram recentemente e faz um alerta às mulheres. “É preciso que elas evitem andar em lugares de pouca movimentação ou que não tenham boa iluminação. Para evitar possíveis ataques, as mulheres também não devem transitar tarde da noite e sozinhas. A maioria das vítimas sempre está desacompanhada”, aponta.

Mesmo relatando que esses casos são preocupantes, a delegada não acredita que haja qualquer ligação entre eles. “São ocorrências pontuais e com características diferentes. Não creio que os casos estejam ligados”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário