quarta-feira, 20 de abril de 2011


MPS busca culpado para a alta no preço dos combustíveis

ES tem o combustível mais caro do sudeste e o terceiro do Brasil
Por Dalila Travaglia (dalila@eshoje.com.br).
Na intenção de buscar soluções, e possíveis culpados para a alta no preço do combustível no Estado, o Ministério Público do Espírito Santo, realizou na manhã desta quarta-feira (20), uma audiência pública, com representantes de postos e demais agentes econômicos ligados ao setor de petroleiro.
O advogado do Sindicato dos Postos, Leonardo Motta, relatou que o aumento do combustível não pode ser encarado pela população como responsabilidade dos comerciantes. Segundo ele, o preço alto está saindo das distribuidoras, automaticamente o preço de mercado também está 'salgado'. Atualmente a margem de lucratividade dos postos do Estado, segundo Motta, é menor do Brasil, cerca de 10% bruto.
 
Representando a BR Distribuidoras, o advogado Fabrício Aigner explicou que o grande vilão para o alto preço do combustível repassado para o Estado é a falta de logística. "O ES é suprido apenas pelo Terminal de Tubarão, no entanto ele é alvo de intempéries climáticas, muitas vezes não dá conta. Para prevenir o desabastecimento, o combustível está vindo pelo modal rodoviário, que aumenta o preço", explicou.
A explicação de que o problema da alto no preço seja de logística, não convenceu o Promotor Roberto Silveira Silva. Na oportunidade, ele pediu que todas as distribuidoras forneçam as informações necessárias para ser feita uma análise nacional. "O MP não está aqui para punir, e sim para achar o problema. Está faltando informação, é preciso achar o vilão. Logística é problema no Amazonas, em Manaus e não aqui", revelou o promotor.

Representante do Instituto Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), Ademir Cardoso foi enfático após a afirmação do advogado da Petrobrás. "Se nosso problema é estrutural, de logística, temos que convocar representantes do Governo Federal para audiências como essa. Caso contrário, estamos fadados a pagar o combustível mais caro para sempre", declarou.
Donos de postos.  Cerca de 350 postos de gasolina da Grande Vitória receberam notificação para estar presente na audiência. Na ocasião eles levaram as notas fiscais das compras de combustível, de março de 2010 a março de 2011. Também apresentaram a planilha de cálculo demonstrando especificamente os elementos que acarretaram os últimos aumentos. De acordo com o Procurador da Justiça, Fábio Vello, será feito uma perícia com os documentos encaminhados.
Para o gerente do Posto Andrade e Vendas, Almir Lima, é preciso desmistificar o caráter de culpado que os postos têm. "Ouvimos muitas reclamações dos clientes, como se a culpa do aumento fosse nossa. Espero que com esse debate alguma coisa possa ser feita em favor da nossa categoria, e da economia do estado", contou.
 
 
O mais caro
O ES tem o combustível mais caro da região sudeste e o terceiro do país - ficando atrás apenas do Acre e Goiás. Uma pesquisa da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP), mostrou os reais motivos do aumento dos combustíveis. O etanol é justificado pelo aumento do preço do açucar no mercado inernacional, assim como a antessafra de cana-de-açucar. Já o da gasolina comum, se deve ao aumento do etanol, uma vez que ele está presente em quase 25% na gasolina.
O resultado mostrou que dos dias 13 de março a nove de abril, o aumento do preço do etanol foi de 4,6%, e da gasolina comum, 14,1%. A pesquisa ainda revela que o aumento da gasolina na região sudeste foi de 4,7%, disparado em valor das regiões centro-oeste e nordeste, por exemplo, com 1,07% e 1,09% respectaivamente. Na comparação por estados, o ES teve um aumento de 4,99%. Vitória mostrou altos números, no que diz respeito a comparação posto/distribuidores do ES. A porcentagem de aumento nos postos foi de 4,5% contra 10,4% de aumento das distribuidoras.
O preço médio das distribuidoras para os postos de gasolina aqui no Estado, é o maior de todo o Brasil (R$ 2,67). O de etanol é de R$2,23. Estados que assim como o Espírito Santo não possuem refinarias tem preços muito inferiores que os daqui. Como Pará, Pernambuco, Parná e Mato Grosso do Sul.
Para o especialista em regulamentação da ANP, Marcelo Silva, o papel da agência é de monitoramento e não controle. Segundo ele é preciso permitir que a concorrência funcione normal e atenda bem os consumidores. "Atuamos nas práticas anticompetitivas, do ponto de vista estritamente econômico. No ES não foi registrado nenhuma denúncia de diferenciação de preço, nem formação de cartel", declarou.

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