terça-feira, 19 de abril de 2011


Bullying
AFONSO POLA
O massacre ocorrido no último dia 7 em Realengo, zona Oeste do Rio de Janeiro, foi uma terrível tragédia. O ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, disparou mais de cem tiros em duas salas do colégio. Como saldo da ação criminosa, 12 crianças morreram - dez meninas e dois meninos; outras 30 pessoas ficaram feridas.
Tal fato deixou o País em estado de comoção. Esse sentimento de revolta despertado em cada um de nós por mais uma tragédia é perfeitamente compreensível. Somos seres humanos e, quando acontece algo assim, é comum nos colocarmos no lugar daqueles que foram diretamente atingidos e, desta forma, experimentarmos, ainda que não seja com a mesma intensidade, a dor sentida por eles. Serviu também para colocar em pauta a questão do bullying, pois, segundo colegas do próprio Wellington, ele teria sido vitima dessa prática naquela mesma escola.

Bullying é uma expressão de origem inglesa e que indica situações caracterizas por agressões intencionais, sejam elas verbais ou físicas, praticadas de forma repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. Tal expressão não possui correspondente em português, mas é entendido como ameaça, intimidação, humilhação e maltrato.
Entre todas as formas de violência é a que mais cresce no mundo. A prática do bullying pode ocorrer em diferentes contextos sociais, como escolas, universidades e locais de trabalho, quando uma ou mais pessoas sofre ações humilhantes e agressivas de seus colegas.

No caso do ambiente escolar, as vítimas costumam se isolar e apresentam queda no rendimento escolar, tornado-as ainda mais vulneráveis. Elas podem desenvolver doenças psicossomáticas, além de sofrer traumas que podem influenciar alguns traços da personalidade. No extremo, o bullying pode trazer consequências para o estado emocional de tal ordem que leva a pessoa ao suicídio.
O bullying não é uma prática nova. Mesmo num passado mais distante era comum, por exemplo, no espaço escolar, algum aluno ou aluna ser vítima constante de brincadeiras humilhantes. Essa criança ou jovem voltava para casa abalada, mas encontrava no lar um ambiente acolhedor, que neutralizava grande parte dos efeitos nocivos das brincadeiras feitas por colegas.

Hoje, essas brincadeiras acabam ganhando maior dimensão quando são postadas na Internet, o que ocorre com bastante frequência. Suas vítimas são brutalmente expostas e, com a estrutura familiar mais ausente e desatenta, não mais encontram em casa o acolhimento e apoio que tanto necessitam.
Infelizmente, somos cada vez mais reféns do nosso modo de vida.

Afonso Pola
sociólogo e professor da UBC

Nenhum comentário:

Postar um comentário